O diretor de “Boi Neon”, Gabriel Mascaro, tem um novo capítulo marcado na carreira com “O Último Azul” — saiba mais sobre sua filmografia

O diretor de “Boi Neon”, Gabriel Mascaro, tem um novo capítulo marcado na carreira com “O Último Azul” — saiba mais sobre sua filmografia

O cinema brasileiro acaba de conquistar mais um grande feito: “O Último Azul”, novo longa de Gabriel Mascaro, venceu o Urso de Prata (Grande Prêmio do Júri) no Festival de Berlim 2025. E não foi só isso: o filme também levou o Prêmio do Júri Ecumênico e o Prêmio dos Leitores do Berliner Morgenpost, arrancando aplausos da crítica internacional.


Do que se trata “O Último Azul”?

Ambientado em um Brasil distópico, o longa acompanha Tereza (Denise Weinberg), uma idosa de 77 anos obrigada a se mudar para uma colônia estatal, parte de uma política que promete “cuidar” dos mais velhos, mas que na verdade os isola. Antes de aceitar esse destino, Tereza decide embarcar em uma última viagem pelos rios da Amazônia, acompanhada por um misterioso personagem vivido por Rodrigo Santoro.

O resultado é um road movie aquático, ao mesmo tempo delicado e político, que fala sobre envelhecimento, liberdade e a necessidade de resistir diante de sistemas que tentam apagar a individualidade. Visualmente arrebatador, o filme transforma a Amazônia em um espaço mágico e simbólico, entre a prisão e a liberdade.

Não à toa, veículos como o The Hollywood Reporter classificaram a obra como “um belíssimo e urgente poema visual”, enquanto o Screen Daily destacou como Mascaro constrói “uma visão plausível e dolorosa de um futuro sombrio”.


Mascaro, um autor com marca registrada

Para quem acompanha a trajetória de Gabriel Mascaro, não é surpresa ver O Último Azul conquistar o mundo. O diretor já vinha chamando atenção desde seus primeiros trabalhos documentais (Doméstica, Um Lugar ao Sol), sempre interessado em observar as contradições do Brasil — seja no espaço íntimo das casas ou na paisagem social mais ampla.

Sua força, no entanto, ganhou projeção internacional com “Boi Neon” (2015), provavelmente o título mais emblemático de sua carreira até agora.

“Boi Neon”: um clássico moderno do cinema nacional

Premiado em Veneza, Toronto, Rio e diversos outros festivais, Boi Neon mistura a dureza do sertão com uma inesperada delicadeza. O filme acompanha Iremar (Juliano Cazarré), um vaqueiro que viaja de vaquejada em vaquejada no interior nordestino. À primeira vista, ele parece apenas mais um trabalhador marcado pela vida bruta do campo. Mas, aos poucos, descobrimos seu verdadeiro sonho: ser estilista de moda.

Maeve Jinkings e Vinícius de Oliveira completam o elenco, trazendo ainda mais profundidade e humanidade aos personagens.

Essa tensão entre força e sensibilidade, entre desejo e realidade, é o coração pulsante de Boi Neon. O longa desconstrói estereótipos de gênero e mostra um Brasil raramente retratado no cinema, com uma beleza visual que hipnotiza.

O filme recebeu diversos reconhecimentos internacionais e nacionais:

  • Menção Honrosa – Festival Internacional de Toronto, entregue pelo júri formado pelos renomados diretores Claire Denis, Agnieszka Holland e Jia Zhang-Ke.
  • Prêmio Especial do Júri – Mostra Horizontes – Festival de Veneza.
  • Festival do Rio – Melhor Filme, Melhor Roteiro, Melhor Fotografia e Melhor Atriz Coadjuvante para Alyne Santana.


E a boa notícia: “Boi Neon” está disponível na plataforma Reserva Imovision. É a chance perfeita de revisitar essa obra ou conhecê-la antes de ver O Último Azul nos cinemas.

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A importância de Mascaro para o cinema

A estreia de O Último Azul não é apenas sobre um novo filme. É sobre reafirmar a importância de Gabriel Mascaro como um autor contemporâneo que olha para o Brasil de um jeito único. Ele não filma apenas personagens, mas símbolos: a doméstica invisível, o vaqueiro estilista, a idosa rebelde. Seus filmes sempre nos convidam a pensar além da trama, explorando política, identidade e desejos de forma poética e provocadora.

Com Boi Neon disponível no streaming e O Último Azul chegando às salas brasileiras em 28 de agosto de 2025, esse é o momento ideal para mergulhar na obra de um diretor que prova, filme após filme, por que o cinema brasileiro continua sendo uma das vozes mais potentes do mundo.